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Conviver | Abril 2017

03/05

As Políticas de Salvaguarda que promovem todos os princípios de Proteção à Criança contemplam todos os aspectos sensíveis que acompanham nossos alunos ao longo do seu crescimento. Quando são bem pequenos, a família fica bastante preocupada com os cuidados e a vulnerabilidade que a infância impõe. As crianças são naturalmente mais desprotegidas e, nós adultos, as orientamos quanto à importância de se defender, sobretudo dos estranhos. À medida que a criança vai crescendo é comum uma falsa ideia de que estão mais protegidas do mundo, afinal sabem comunicar com mais clareza aquilo que pode ser uma ameaça.

Essa falsa impressão precisa ser analisada sob duas perspectivas que são importantes de serem compartilhadas:

1 – As estatísticas de todas as classes sociais demonstram que as crianças estão mais sujeitas a abusos e negligências de pessoas que não são estranhas ao seu convívio;

2 –Os adolescentes tendem a não compartilhar as ideias e pensamentos que lhes afligem.

Dessa forma, acompanhar as crianças e adolescentes é fundamental para que sejam amparadas nesse mundo que vem se transformando de maneira fugaz e veloz. Para contribuir e educar, a escola implantou como tema transversal no currículo, as políticas de salvaguarda que vão orientando os alunos, desde a mais tenra infância em como se manter seguros nas relações pessoais e virtuais desse mundo que se transforma a cada minuto.

Segue mais um texto para reflexão da família.

Contem sempre conosco na orientação aos filhos.

Luiza Sassi

Direção Pedagógica

 

18/02/2017

A adolescência é período de aprender a cuidar do próprio corpo e a valorizá-lo

Roseli Sayão

Nas duas últimas semanas, dois motivos surgiram para deixar muitos pais de adolescentes preocupados. O primeiro é a estreia de um seriado que trata do suicídio de uma adolescente – “13 Reasons Why” – que está fazendo o maior sucesso entre os jovens. Permitir que o filho assista, ou não? Essa foi a questão enviada por muitos adultos que têm filhos passando pela fase da adolescência.

O segundo é uma notícia que tem sido veiculada e muito repercutida nas redes sociais, a respeito de um “jogo mortal” praticado por adolescentes – “Baleia Azul” –, que deixou os pais bem assustados. “Como saber se meu filho pode ser seduzido por algo assim?”, perguntaram alguns.

Por isso, convido você, leitor, a pensar a respeito da relação do jovem com seu corpo. De quem é o corpo do adolescente na atualidade?

A adolescência é um tempo de passagem complexo para o jovem. Deixar a infância significa principalmente deixar de depender totalmente dos pais. São estes que decidem quase tudo na vida da criança, não é? Na adolescência, o próprio jovem passa a assumir, gradativamente, a função que era de seus pais. E uma delas, justamente a que vamos tratar hoje, é o cuidado de si.

Os pais de criança avaliam constantemente sua saúde, levam-na ao médico sempre que julgam necessário, cuidam de sua alimentação, vestuário, protegem-na de riscos e perigos, não é assim? Na adolescência, os filhos passam a recusar todos esses cuidados parentais e de outros adultos próximos porque já podem assumi-los.

Entretanto, há ideais sociais fortes que levam o adolescente a centrar o cuidado de si na busca da beleza do corpo e na boa forma. Você já notou, leitor, quantos canais de vídeos, páginas em redes e blogs tratam dessa questão, e que são seguidos por milhares de jovens? Até crianças já tratam desses temas com canais próprios, incentivados por seus pais!

Dessa maneira, a escolha de procurar a beleza e o corpo quase perfeito, que o jovem pensa ser dele, não é, de fato, sua. O corpo dele é dessa sociedade que privilegia a ostentação do corpo idealizado e atrapalha – e até impede – que o adolescente desenvolva o autocuidado, como amor à vida.

A escola, tão preocupada com o conteúdo escolar a ser ensinado aos adolescentes, pouco se ocupa com a relação dos alunos com seu corpo. As aulas de educação física não têm o mesmo valor que as disciplinas exigidas nos exames, por exemplo – nem mesmo para o Ministério da Educação! Além disso, a falta de vontade dos alunos de comparecer a essas aulas não é competentemente trabalhada pela maioria das escolas. Ao contrário, em geral vemos a instituição escolar ser condescendente com a ausência dos alunos nos horários de educação física.

A dedicação extrema de muitos jovens a seus aparelhos conectados às redes sociais também é um fator que colabora para a alienação em relação ao seu corpo, não é?

Em resumo: o corpo do adolescente, base de sua vida e de sua identidade, tem sido tratado pela lógica sedutora do mercado, o que tem colaborado para que muitos se tornem corpos que pouca resistência oferecem aos ditames do consumo.

Podemos, certamente, mudar esse contexto! Aliás, esse deve ser um desafio a ser assumido por todos nós, e não apenas pelos pais de adolescentes.

ROSELY SAYÃO é psicóloga e autora de “Como Educar Meu Filho?” (Publifolha)

 

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