Ensino Fundamental

10º Concurso de Crônicas

13/09

 

A rotina e os pequenos incidentes do dia a dia transformados em escrita tomam a forma de crônicas. Nelas, o cotidiano transparece através de palavras. Para captar a essência dos detalhes e da simplicidade desse gênero literário, os alunos do 9º ano do Ensino Fundamental participaram de um Concurso de Crônicas com a professora de Produção Textual, Karla Faria.

Em sua décima edição, o Concurso de Crônicas contou com quatro temas centrais, que inspiraram os alunos: “Bullying”; “Os livros e o futuro”; “A música que embala meu cotidiano” e “Eu e meu quarto, meu quarto e eu”. As seis melhores crônicas foram premiadas e apresentadas, através da leitura dos colegas.

A aluna Juliana Zolotar fez a logo arte do evento, que retrata os óculos do cronista como “janelas para o mundo”, e conta: “Gostei muito de ter participado fazendo a arte. Acho que o mais legal é podermos exercitar nossa criatividade como quisermos”.

Os alunos Gabriel Gava e Sophia Potz ainda se apresentaram tocando e cantando duas músicas: Black Bird e Seven Nation Army. Sophia Potz conta: “Eu fiquei muito feliz de poder participar do evento com duas coisas que eu gosto muito de fazer, que são tocar e ler. Não fiquei triste por não ter ganhado, na verdade achei muito melhor participar desta forma e poder prestigiar os meus amigos”.

 

A aluna Flávia Brady ficou em primeiro lugar com a sua crônica
“Pronomes singulares”. Ela relata: “Eu sempre gostei muito de escrever porque é uma forma de colocar nossos sentimentos em palavras e a crônica é exatamente isso, ela retrata o que você vive, no seu cotidiano”.

 

Leia abaixo a crônica vencedora:

 

Pronomes singulares

 

Teu e único. O que te faz criança. O que te faz rainha, guerreira. Assim como cada ser há um império. Próprio.

Há um lugar que vou, onde ninguém me conhece. Com uma brisa leve que paira pelo ar primaveril, campos de lavanda crescem por todos os lados. E bem no final do caminho há uma casa branca, com janelas marfins.

Há um lugar que vou, onde ninguém me identifica. As ondas batem e a maresia me apazigua. Eu respiro e ela me lê, como uma fábula. Ando e meus dedos se entrelaçam com a areia cheia de conchas. Finalmente, o calafrio da água chega até meus cabelos e eu abro os olhos, que refletem a imensidão.

Há um lugar que vou, onde ninguém me enfurece. O ar congelante agita e brinca com meus cabelos, que são iluminados pelo sol vermelho. O céu, agora rosa e laranja, diz-se dono, mas se faz domado por minhas mãos. Tecendo cada nuvem, as asas brancas presentes em minhas costas, parecem não ser suficientes para quem roubou meu sorriso.

Logo, caio nas plumas e penas de todos os travesseiros de minha cama, e olho para o teto. O mesmo sorriso de antes é iluminado pelos raios que ultrapassam as cortinas de pano. Aquelas que protegem o mundo de todos os livros, filmes e histórias que tenho para contar. Muralhas para o império. Próprio. Meu, teu, dela, mas nunca nosso, vosso e nunca delas.

 

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